quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

A Derrocada da França


A Derrocada da França


E a França caiu...

A decisão da França de abandonar seus aliados e buscar uma paz em separado era algo que deixou, a 17 de junho, de conter qualquer elemento de surpresa. Já durante algum tempo antes, apesar das afirmações periódicas de imperturbável união entre a Grã-Bretanha e a França, a probabilidade de tal passo tinha estado a aumentar gradualmente. Na verdade, os próprios tons desses pronunciamentos emprestavam côr à possibilidade. Churchill, por exemplo, afirmou a 19 de maio: "Recebi dos chefes da República Francesa e em particular de seu indomável primeiro ministro sr. Reynaud as mais sagradas garantias de que, houvesse o que houvesse, eles lutariam até o fim." Mas o próprio caráter premente dessa afirmativa concorria para que ela fosse de menor eficiência para o reforço de confiança do que para o despertar de especulações em torno de sua necessidade. E em seu discurso de 4 de junho, Churchill se utilizou de uma frase cujo significado cedo se percebeu. "Tenho plena confiança em que... nos mostraremos novamente capazes de defender a nossa pátria insular e de dominar a tempestade da guerra e sobreviver à ameaça da tirania, por anos se for necessário e se necessário sozinhos."
Mas uma coisa era explicar satisfatoriamente um acontecimento que já se verificara, e outra era prever que tal acontecimento se realizaria. A busca de explicações tendia quase inevitavelmente a transformar-se numa busca de evasivas. A culpa era atribuída de vários modos aos generais, aos políticos, ao soldado raso do exército francês e ao povo francês em geral.

Nenhuma dessas explicações era completamente satisfatória em si mesma. Nenhuma, todavia, podia ser inteiramente desprezada. Os políticos indubitavelmente contribuíram, se não para a própria derrota, pelo menos para uma situação que tornara a derrota possível - se bem que nesta questão havia uma tendência dominadora em certos círculos para sublinhar os erros de cálculo da Esquerda, ignorando ao mesmo tempo as atividades mais sinistras ou mais mal orientadas da Direita. Até certo ponto, entretanto, os conflitos dos políticos franceses contribuíram para a falta de preparo da França. Já desde 1918, as questões sociais vinham aumentando de agudez. A impaciência crescente das massas pela intransigência dos grupos dirigentes tinha sido respondida por uma resistência gradualmente mais inflexível das classes favorecidas a qualquer medida que envolvesse reforma social ou econômica. Essa crescente preocupação pelas questões internas afetou sem dúvida a probabilidade da França adotar um rumo vigoroso e decisivo de política externa. Isto era particularmente verdadeiro depois de 1935, quando os reflexos da luta social se estenderam à esfera internacional, e Berlim e Moscou vieram a simbolizar as principais ameaças ou refúgios das facções que se degladiavam. O resultado foi uma semiparalisia de decisão nos problemas externos, a qual contribuiu para o preparo dos fundamentos diplomáticos - e talvez também militares - da catástrofe final.
Grupo anti-tanque com um Hotchkiss 37mm

Então, subitamente, alguns observadores descobriram a existência de um sentimento muito difundido de derrotismo entre o povo francês. A descoberta não era totalmente convincente, mas indicou talvez certas características do moral nacional. Poucos afirmariam que a guerra foi saudada na França com grande entusiasmo. Ela entrou na guerra não para repelir qualquer invasão iminente, mas sim para subjugar um inimigo potencial antes que se tornasse tão forte que lhe fosse impossível resistir militarmente. Um Hitler que dominasse a Europa oriental poderia significar uma França subjugada sem travar sequer uma batalha. Este era o ponto de vista daqueles que se mostravam partidários de uma resistência a favor da Polônia. Mas era um ponto de vista passível de ser debatido e em torno do qual certos grupos franceses estavam prontos para entrar em debates. As dúvidas sobre a sua validade podem ter concorrido para o aumento do desencorajamento nacional quando a guerra começou a tomar um rumo desfavorável, auxiliando assim os agentes de Hitler e seus aliados no país na tarefa do enfraquecimento da resistência popular. O que tornava tudo isso difícil de ser avaliado era a falta de qualquer direção eficiente do espírito de resistência no momento crítico. Nenhum Gambetta se ergueu para conclamar a nação para novos e heróicos esforços; e o refrão Il faut en finir que marcara a atitude da nação em relação à luta era uma base inadequada para esforços espontâneos em face de tão rápida e arrasadora derrota.
Infantaria de assalto alemã avança pela França
Mas quando tudo isso era tomado em consideração, ressaltava um fato central. Este era a derrota militar. O exército francês, de tão alto prestígio ao começo da guerra, tinha sido esfacelado por um inimigo superior. Fosse com que fosse que a situação geral da França tivesse contribuído para esse resultado, era ainda a derrocada militar que mais carecia de uma explicação.

O colapso militar
Não poderia ser explicado como sendo devido à qualidade do soldado francês. Este pelo menos não era responsável pela inferioridade no equipamento e pela falha disposição de reservas que se tornaram perfeitamente clara depois de 10 de maio. O mais que se poderia dizer contra ele era que o seu espírito de luta carecia daquele desespero que poderia parcialmente contrabalançar essas deficiências e dar ao Alto Comando um pouco de tempo extraordinário para retificar alguns de seus erros. Ele tinha sido preparado para uma espécie de guerra; viu-se numa outra diferente, que absolutamente não lhe era familiar. Foi submetido a uma concentração de fogo sem precedentes, que fazia com que se parecesse inútil tudo que fizesse em resposta. Viu-se a lutar por dez dias sucessivos contra forças alemães que eram renovadas cada dois ou três dias. Sobretudo, sentia que estava sendo sobrepujado constantemente sem que pudesse travar luta direta com o inimigo. Começou, por fim, a sentir que o seu próprio destacamento estava sendo deixado sozinho e sem apoio para aparar todo o peso do assalto. Quando a luta se apresentava quase sem esperança, seu moral em muitos casos não estava convenientemente preparado para prosseguir o combate e dai vinha a desagregação. Se, entretanto, este era o caso em geral, havia também muitas exceções, e exemplos de tropas francesas mantendo uma resistência corajosa e tenaz não faltaram mesmo depois do começo das negociações de armistício. Um comentarista britânico, escrevendo na The Fighting Forces, pagou-lhes generoso tributo: "As falhas que motivaram a derrota não podem ser atribuídas ao soldado francês. Não há homem algum mais preso ao seu solo natal que o campônio francês, ninguém mais verdadeiramente patriota... A verdadeira causa reside na preparação falha e ineficiente."


Pow's franceses
A culpa dessas falhas cabe em grande parte ao Alto Comando francês. Os preparativos falhos não eram somente materiais, mas também intelectuais. A rigidez da mente foi ilustrada pela sua recusa em admitir que as lições da campanha polonesa tinham qualquer aplicação séria ao problema da defesa francesa. Sua excessiva confiança na tática defensiva fê-lo subestimar de modo fatal o poder que as novas armas e métodos tinham dado ao ataque. Contudo, apesar de centralizar o pensamento em torno da Linha Maginot, o Alto Comando deixou de desenvolvê-la de modo consistente. Com o problema da fronteira belga a exigir uma solução, ele nem estabeleceu defesas fixas adequadas, nem elaborou um eficaz contra-golpe para o caso de uma invasão alemã. E quando o êxito do avanço alemão deitou por terra todos os princípios de sua doutrina, o Alto Comando continuou a agarrar-se aos remanescentes de suas obsessões e permitiu que reservas essenciais fossem deslocadas para as fortificações orientais, quando o destino da França estava em jogo ao longo do Mosa e do Somme.
Esse era um dos fatores da fraqueza aliada, não somente quanto à defesa inicial, mas ainda mais gravemente na questão vital dos contra-ataques. Nos dias que se seguiram à ruptura alemã até o Canal, essa fraqueza era ainda mais evidente. Por vários dias, os alemães mantiveram um corredor precário de apenas 20 km. de largura. O fechamento desse corredor teria isolado substanciais forças alemães e retardado, senão impedido, o seu avanço através de Flandres.
Apenas uma tentativa séria foi feita para o conseguimento dessa finalidade. E essa foi levada a efeito pelas forças britânicas, a 22 de maio, com apenas duas divisões e sem apoio francês. Embora ganhasse algum terreno não foi suficientemente forte para provocar uma ruptura; e, carecendo de força para aproveitar as vantagens obtidas, as divisões britânicas viram-se avançando para uma armadilha e foram obrigadas a recuar. Um plano mais ambicioso, se bem que ainda limitado, foi entretanto desenvolvido ao mesmo tempo por Weygand. Ele envolvia a sincronização de uma nova investida ao norte, em que duas divisões britânicas, outra vez, tomariam parte, com o avanço do principal exército francês no sul. Foi originariamente marcado para o dia 25 de maio, mas a necessidade de repouso e de reforma das divisões britânicas provocou o seu retardamento até o dia 26. Esse dia, entretanto, era tardio demais. A essa data, o ataque alemão ao exército belga tornou iminente o colapso deste, e todas as forças britânicas disponíveis foram mandadas rapidamente para o norte a fim de apoiá-lo. Privados do esperado auxílio britânico, os franceses desistiram de seu plano, e com a rendição belga todas as possibilidades de revivê-lo desapareceram.




Linha Maginot

Túnel dentro da Linha Maginot
Soldados no interior das fortificações da Linha Maginot

A importância desse episódio consiste não somente na revelação que faz da coordenação imperfeita entre os comandantes aliados. Mostra também como havia escassez de reservas disponíveis quando em conseqüência da falta de auxílio de duas divisões britânicas o principal exército francês achou-se incapaz de lançar sequer um contra-ataque limitado. Mais alarmante ainda era a falta de habilidade francesa para reaver mesmo as posições locais de primeira importância. Isto foi demonstrado com o fracasso da tentativa de recaptura das cabeças de ponte que os alemães estabeleceram ao longo do Somme. Quando a batalha da França começou, essas serviram de vias para o assalto mecanizado alemão; e os tanques lançados dessas cabeças de ponte foram capazes de furar a linha Weygand, iniciando o desmantelamento final de toda a frente.
A Batalha da França revelava de modo cada vez mais claro a inferioridade francesa, não somente em equipamento, mas, o que era mais surpreendente, em número. Afirmou-se oficialmente que a França mobilizara entre cinco e seis milhões de homens. Mas mesmo admitindo-se que entre vinte e trinta divisões foram dispostas na fronteira italiana, era difícil imaginar-se onde esses homens poderiam estar, e aumentava a suspeita de que esses números eram em grande parte um mito. Mais tarde, num comunicado em que comparava os esforços britânicos e franceses e no qual não tinha motivos para subestimar os da França, Paul Baudoin fixou o total da mobilização em três milhões. De acordo com Pétain, os franceses no auge do avanço final puderam dispor em linha apenas sessenta divisões contra cento e cinqüenta divisões alemães. "É provável", escreveu um oficial de engenharia americano, "que a 5 de junho, quando o golpe foi desfechado, o poder combativo dos alemães entre Abbeville e Montmedy tenha sido o dobro do dos franceses. E já que os alemães retinham a iniciativa e uma mobilidade superior, essa proporção poderia facilmente alcançar quatro para um em determinados pontos. Os franceses simplesmente careciam de força para impedir uma ruptura da frente."

"O objetivo da nova fase de operações", disse o Alto Comando alemão", era romper a frente setentrional francesa, forçando o despedaçamento das unidades francesas rumo ao sudoeste e sudeste para depois destruí-las." O caminho foi aberto quando os franceses eram impelidos da linha do Somme, e com a travessia do Sena e do Marne o objetivo estava quase alcançado. Os exércitos franceses nessa região foram metodicamente cortados em pedaços. Esforços tardios para trazer reforços do setor atrás da Linha Maginot foram prejudicados pelo rompimento das comunicações, devido não somente ao bombardeio da retaguarda do front, como também ao fato de que o avanço tinha cortado as linhas ferroviárias mais diretas. A tentativa de retirada para o Loire fracassou quando as tropas encontraram as estradas atravancadas por uma torrente de refugiados e o rápido avanço mecanizado alemão ultrapassou os franceses retirantes. O Loire por si mesmo era ineficaz como linha de defesa, e a retirada permitiu aos alemães desembarcar na retaguarda da Linha Maginot e auxiliou o sucesso do ataque frontal que perfurou as defesas em dois pontos. Algumas das tropas nessa área continuaram a resistir até o fim, mas toda a esperança numa frente coerente tinha desaparecido. A 9 de junho, Weygand, com irônica ambigüidade, disse ao exército: "Este é o último quarto de hora. Agüentem firmes!" Mas quando passou o último quarto de hora, o principal exército francês deixou de existir como força combativa efetiva.


O colapso político
Quando Weygand substituiu Gamelin no comando das forças aliadas, tomou a si uma causa que sentia já estar perdida. Essa convicção foi reforçada quando a situação militar foi de mal a pior; e quando os alemães lançaram o ataque à linha do Somme, Weygand chegou à firme conclusão de que essa era a prova final, e de que se a França fosse uma vez mais obrigada a ceder caminho a rendição seria inevitável.

General Weygand
Nessa crença ele teve o apoio de um grupo crescente dentro do governo. A crise ministerial de 5 de junho resultara na eliminação dos mais ativos advogados da causa da paz em separado. Mas entre os novos membros introduzidos no gabinete para fortalecer o espírito de resistência houve alguns, como Paul Baudoin, que em poucos dias se passaram para o partido da paz; e outros de espírito firme até aquela data ficaram convencidos de que, com a rendição de Paris, nenhuma esperança mais restava. A 12 de junho, a questão chegou a uma decisão, quando o gabinete, reunido em Tours, foi informado por Weygand de que a batalha estava perdida e de que nada restava senão solicitar um armistício.

Houve ainda considerável resistência a essa proposta. Mesmo admitido que a possibilidade de resistência em solo francês estava quase no fim, havia ainda a possibilidade de se conduzir a luta nas colônias. Reynaud se fez porta-voz dos que estavam contra a rendição quando - em palavras já parcialmente falsificadas - escreveu a Roosevelt, no dia 10: "Lutaremos na frente de Paris; lutaremos atrás de Paris; fechar-nos-emos numa de nossas províncias para lutar, e se ainda dela formos afastados, estabelecer-nos-emos na África do Norte para continuar a luta, e se necessário, mesmo em nossas possessões da América continuaremos a combater."

A isso, porém, tanto Weygand como Pétain, apoiados por uma parte do gabinete, se opunham firmemente. Weygand estava visivelmente obsessionado pela crescente desorganização da autoridade civil e pelo perigo de ela conduzir a uma revolução. Alegou-se mesmo que ele dissera ao gabinete que motins comunistas tinham irrompido em Paris - informe que Mandel imediatamente desfez chamando o chefe de Polícia da Capital e obtendo um desmentido autorizado. Mas apesar de tudo, perdurava o receio de tais motins; e a acompanhá-lo havia a esperança de que, fazendo-se a paz antes que tudo estivesse perdido, alguns resquícios da independência francesa ainda pudessem ser salvos. Pierre Lazareff, diretor do Paris Soir, atribuiu a Pétain palavras que, mesmo que apócrifas. expressavam indubitavelmente os pontos de vista do partido da paz: "Solicitemos imediatamente um armistício, enquanto ainda se mantêm intactos a nossa marinha e grande parte do nosso exército e a Linha Maginot continua a resistir. Mais tarde, estaremos a mercê do vencedor... Não podemos entregar a nação a si própria e aos invasores. Fiquemos no nosso solo sagrado para tomar conta de nosso povo. E antes que soe a hora em que o vencedor, nada tendo a recear, se recuse a discutir condições, obtenhamos dele a garantia de que os nossos jovens e as nossas cidades serão poupados a ponto de termos em mãos ainda a possibilidade de um renascimento."

Mas se o futuro da França era o primeiro a considerar-se, não era pelo menos o único. A Grã-Bretanha era aliada da França, e a França lhe estava ligada por compromissos que, honradamente, não poderiam ser ignorados. A 28 de março, depois de uma reunião do Supremo Conselho de Guerra em Londres, uma declaração conjunta foi emitida pelos dois governos, nos seguintes termos:

"O Governo da República Francesa e o Governo de Sua Majestade... resolvem mutuamente que durante a presente guerra não negociarão ou concluirão um armistício, nem tratado de paz, exceto por consentimento mútuo.

Acordam ainda em não discutirem condições de paz antes de chegarem a completo acordo sobre as condições necessárias para assegurar a cada um dos dois uma garantia duradoura e efetiva de segurança.

Finalmente, acordam em manter depois da conclusão da paz uma comunidade de ação em todas as esferas até o prazo em que se mostre necessário para salvaguardar a sua segurança e efetuar a reconstrução, com a assistência de outras nações, de uma ordem internacional que garanta a liberdade dos povos, o respeito à lei e a manutenção da paz na Europa."

O gabinete, entretanto, decidiu que à Grã-Bretanha deveria ser solicitado o livramento da França desse seu compromisso; e Reynaud, capitulando diante do sentimento da maioria, obteve uma entrevista com Churchill, que, acompanhado por Halifax e Beaverbrook, voou a Tours no dia 13. Os ministros britânicos se recusaram a, nessa fase, libertar a França de seus compromissos, mas prometeram todo o auxílio disponível para barrar o avanço alemão. (A Força Aérea Britânica, de fato, empenhou-se em pesadas ações em conseqüência disso, e todas as tropas que se pôde reunir na Inglaterra, inclusive uma força de canadenses, foram mandadas rapidamente à França). Concordaram, todavia, com que Reynaud fizesse um novo apelo aos Estados Unidos, e com que, no caso de uma resposta não satisfatória, a situação fosse novamente examinada.

A anterior mensagem de Reynaud, datada de 10 de junho, solicitando "assistência nova e cada vez maior", tinha sido respondida com a promessa de que todos os esforços seriam feitos para apressar e aumentar a remessa de suprimentos. Ao "novo e final apelo" de Reynaud a 13 de junho, o presidente somente pôde responder que o governo faria todos os esforços possíveis nas condições presentes, e que se sentia impelido a acrescentar a advertência de que isso não implicava em auxílio militar, já que somente o Congresso tinha o poder de tomar tais resoluções.

No dia 16, à luz dessa resposta, a França apelou uma vez mais para a Grã-Bretanha. A resposta foi a proposta sensacional de se fundir os dois impérios, para que a guerra pudesse prosseguir em comum. Um único gabinete de guerra seria estabelecido, os dois parlamentos se associariam formalmente e a União apelaria para os Estados Unidos no sentido de "fortalecer os recursos econômicos dos aliados e dar-lhes sua poderosa assistência material, para a causa comum." Era uma garantia implícita de que a causa francesa seria defendida até o último inglês. Mas o grupo pró-paz da França achou nessa proposta um motivo mais de alarme que de entusiasmo. Achava que a França perderia a independência e cairia sob a dominação inglesa. A arriscarem-se a isso, preferiam entregar-se ao suave arbítrio da Alemanha nazista.

A Inglaterra resignou-se, pois, à perspectiva da defecção francesa. Embora deixasse claro que ela mesma estava determinada a continuar a luta, aquiesceu relutantemente com que a França negociasse um armistício. Mas a mensagem do governo britânico a esse respeito continha uma condição de capital importância. A frota francesa deveria ser enviada a portos britânicos e ali permanecer durante as negociações.

Na tarde do dia I6, Churchill estava para partir a novo encontro com Reynaud quando lhe chegou a notícia de que o ministério francês caíra. Em face da crescente pressão do partido pró-paz e das defecções a seu favor, Reynaud se viu obrigado a renunciar. Aparentemente, ele jamais considerara a tentativa de angariar apoio no Parlamento ou na nação contra os que advogavam a rendição. Pode ter tido a esperança de, por sua renúncia, dissolver o ministério existente e ganhar assim nova oportunidade para formar outro mais resoluto. Mas o presidente Lebrun estava agora ao lado do partido da paz. Ao invés de conceder a Reynaud novo mandato, voltou-se para Pétain.

O ministério organizado pelo velho marechal compunha-se não somente dos principais membros do partido pró-paz como também, predominantemente, de representantes da Direita. A figura principal era Pierre Laval, que até então se destacava como principal adversário de Reynaud e o verdadeiro arquiteto do bloco pró-paz. Todas as hesitações chegaram então ao fim. Pétain imediatamente iniciou negociações com a Alemanha, através do governo de seu velho pupilo, o general Franco. A 17 de junho, anunciou ao povo francês: "Dirigi-me ao nosso adversário para perguntar-lhe se estava disposto a firmar conosco, como entre soldados depois da luta e com honra, meios de pôr fim às hostilidades."


Os pontos do armistício

Para Hitler, a fraseologia de Pétain deve ter soado como tolice antiquada. A questão da honra provavelmente lhe importava menos que a questão prática dos fins eficazes. Ele deve ter tomado em consideração os sentimentos franceses somente até o ponto de se abster de impor condições que provocassem os franceses à luta e não à submissão. Mas pouco depois exigia o máximo - e numa base que abriria caminho para conseqüências futuras indefinidas.

A 18 de junho, Hitler discutiu as condições em perspectiva com Mussolini em Munique. A presença do Duce constituía uma recordação de que outras facções que não a França e a Alemanha estavam interessadas. Não estava bem claro se a França teve a intenção de combater a Itália, ou se - como parecia provável - o seu governo apenas encarara o fato de que a Itália era beligerante, em vista da natureza modesta de sua beligerância. Em qualquer caso, a França foi imediatamente convidada a remediar esse pouco caso; e a 20 de junho, algo retardadamente, uma solicitação de armistício foi encaminhada a Roma.

Hitler, no centro do grupo, com a mão na anca, ao lado do Reichsmarschall Hermann Goering, e seus generais, perante a estátua do marechal Ferdinand Foch antes da assinatura do armistício. À direita da imagem pode ver-se uma parte da carruagem do armistício. 

Imagem da carruagem do armistício, utilizada para a assinatura deste armistício e para a do Armistício de 11 de novembro de 1918. 

No dia seguinte, enquanto as tropas francesas continuavam a combater os alemães em avanço, Hitler e seu estado-maior receberam os negociadores franceses. O vagão ferroviário em que Foch se sentara foi transportado até o ponto da floresta de Compiègne em que o armistício de 1918 foi assinado. Nesse local simbólico, os representantes da França derrotada confrontaram os alemães vitoriosos. Depois de submetidos a um discurso em torno das desgraças passadas e inocência atual da Alemanha, eles receberam as exigências alemães com a garantia de que a Alemanha não teve a intenção de dar às condições "o caráter de um insulto a tão valente adversário". Discussões posteriores resultaram em modificações de certos pontos, e no dia 22 as condições foram aceitas. Mas mesmo isso não pôs fim às hostilidades, que deveriam cessar somente quando também com a Itália se chegasse a um acordo satisfatório. No dia 24, a França chegou a um acordo com Roma; e a esse tempo as tropas alemães formavam uma linha que corria, através da França, do lago de Genebra à foz do Gironda. A 1h35 da madrugada de 25 de junho, exatamente oito dias depois que seus líderes admitiram estar a sua causa sem esperanças, as tropas francesas receberam, afinal, ordem de depor as armas.


O governo francês desde o começo das negociações alegara que somente uma paz honrosa seria aceitável. "Se os franceses são obrigados a escolher entre a existência e a honra", disse Baudoin, "sua escolha está feita". Essa afirmativa foi repetida enfaticamente durante os dias que se seguiram. Mas à medida que era retardada a conclusão do armistício, e a imprensa e rádio alemães continuavam a acentuar que um país derrotado tinha de se render incondicionalmente, a perturbação do governo crescia. Uma resistência renovada foi ligeiramente considerada, mas na mente dos líderes franceses ela era um recurso desesperado que somente no último caso deveria ser tentado. Na ocasião em que as condições do armistício lhes foram comunicadas, eles estavam numa situação moral capaz de aceitar com, alívio quase todas as condições, inclusive as que privariam do caráter de independência o governo francês.

Esta foi quase a única concessão dada pelos acordos do armistício. As vantagens dadas à Itália, na verdade, eram tão pequenas que quase não passavam de um gesto aberto de desprezo da Alemanha para um associado de menor importância. Por uma bela ironia, os ganhos territoriais italianos eram limitados à ocupação das poucas milhas de solo francês que tinham sido conquistadas no lento avanço para os quatro dias que precederam o armistício. Houve um gesto em relação à segurança de suas fronteiras, entretanto, com a criação de zonas desmilitarizadas ao longo tanto das fronteiras alpinas como das coloniais africanas; e lhe foram concedidos direitos plenos ao porto de Djibuti e da secção francesa da estrada de ferro de Djibuti a Addis Abeba.

É todo este conjunto de considerações complexas que determinará as condições do acordo de armisticio, um texto breve de vinte e quatro artigos, que contem, entre outras, as seguintes cláusulas:
-Os prisioneiros de guerra (mais de milhão e meio de homens) ficam cativos até à assinatura de um acordo de paz.
-A metade norte, bem como a costa atlântica, ficam sob a ocupação alemã, constituindo a chamada zona ocupada, que abarca aproximadamente três quintas partes do território. O resto constitui a chamada zona livre, isto é, a não ocupada, situada principalmente a sul do rio Loire. Ambas zonas se hallaban separadas pela chamada linha de demarcação.
-França deve prover a manutenção do Exército aleão de ocupação. O importe da dita manutenção é fizado de forma quase discrecional pelos alemães, sendo, como média, de uns 400 milhões de francos por dia.
-Na zona livre, o exército francês fica limitado a 100 000 homens e ditas tropas ficam desarmadas.
-A soberania francesa se exerce sobre o conjunto do território, incluida a zona ocupada, Alsácia e Mosela, mas na zona ocupada se estipula que Alemanha exerce Os direitos da potência ocupante, o que implica que a Administração francesa colabora com ela de um modo correto.
-O império colonial francês fica igualmente sob autoridade do Governo francês.
-Os navios de guerra devem acudir a seus portos em períodos de paz, embora alguns deles, como o de Brest, esteja em zona ocupada.
-França deve entregar os refugiados políticos alemães ou austríacos refugiados em seu território fugindo do nazismo.

General Giraud com os vencedores alemães.

Quanto ao resto, as condições italianas seguiam substancialmente às do armistício alemão, que deixavam a França desarmada e desmembrada. Dois terços da França seriam ocupados - à costa francesa - por tropas alemães. Isto incluía não somente as áreas industriais da França, exceto Lyon, como também toda a costa atlântica, até a fronteira espanhola. O exército francês deveria ser imediatamente desmobilizado, a exceção de uma pequena força para finalidades de segurança interna e cujo efetivo seria indicado pelo vencedor. Todas as fortificações e todo o material bélico deveriam ser entregues. A atividade aérea, mesmo na área não ocupada, foi proibida, e nesta área os campos de aviação ficariam sob o controle germano-italiano. Toda a navegação mercante francesa deveria ser chamada à metrópole e permaneceria em portos franceses até ulterior deliberação. Os prisioneiros de guerra alemães deveriam ser soltos, mas os prisioneiros de guerra franceses ficariam nos campos de concentração alemães até a conclusão da paz. A França deveria entregar todos os cidadãos alemães designados pelo governo alemão - uma concessão particularmente vergonhosa que lançaria milhares de refugiados às mãos vencedoras da Gestapo. A frota deveria ser desarmada nos portos franceses sob controle ítalo-germânico, com a solene garantia de que essas potências não tinham a intenção de utilizá-las para si próprias.
Mas essas condições eram apenas o começo. Os detalhes de sua aplicação foram entregues a uma comissão de armistício sediada em Wiesbaden, onde os alemães podiam exercer pressão constante sobre os impotentes delegados franceses. A Alemanha e a Itália se reservaram o direito de cancelar as condições caso achassem que o governo francês deixara de cumprir suas obrigações. E as condições de uma paz permanente ficariam aguardando a consecução de completa vitória do Eixo, quando uma França desorganizada e impotente seria obrigada a desempenhar seu papel especial na servil organização da Nova Europa de Hitler.
Essas as condições a respeito das quais Pétain disse: "A honra foi salva. Nosso governo permanece livre. A França somente por franceses será governada".



A ditadura Pétain

Os franceses que governavam de Vichy estavam, todavia, determinados a que a França fosse dirigida numa base muito diferente da dos últimos setenta anos. O novo regime representava uma liquidação temporária do elemento essencial e básico da política francesa: - cumprimento ou destruição dos princípios da Revolução de 1879. As forças da Direita estavam agora resolvidas a utilizar a derrota externa para assegurar sua vitória interna. A República, com a sua divisa de Liberdade, Igualdade, Fraternidade, era para esses homens um anátema. Resolveram substituir a liberdade pela disciplina, a igualdade pela autoridade, a fraternidade por uma organização calcada na de seus vencedores totalitários. Com a nova divisa de Trabalho, Família, Pátria, eles iniciaram a tarefa de extirpar as tradições que tinham moldado o espírito da França no último século e meio.


Marechal Pétain, foi um militar francês e líder do governo fantoche instalado na França pelos nazistas durante a Ocupação 

Sua primeira medida foi pôr de lado a constituição vigente. A 9 de julho, o Parlamento francês, com a ausência de cerca de um terço de seus membros, aprovara uma resolução concedendo plenos poderes ao governo Pétain. No dia seguinte, isso foi ratificado por ambas as Casas do Parlamento que se reuniram para formar uma Assembléia Nacional. A 11 de julho, o presidente Lebrun passou ao marechal Pétain seus poderes de chefe de Estado. Nesse mesmo dia, a transformação foi completada pela publicação de três decretos que aboliram os principais dispositivos da constituição existente e colocaram nas mãos de Pétain pleno poder legislativo, bem como o controle da diplomacia, do exército, das finanças e das nomeações civis e militares. Os decretos sugeriram a criação de novas assembléias legislativas, mas não lhes prescreveram forma prática. Entrementes, as Câmaras existentes continuariam legalmente a existir, mas como suas reuniões haviam sido proteladas indefinidamente e apenas poderiam reunir-se por determinação de Pétain, sua parte nos negócios públicos parecia haver efetivamente terminado.

Uma série de decretos se seguiram a esses, decretos cujo efeito seria a transformação radical da vida francesa. Eles indicavam a criação de um Estado cuja economia seria predominantemente agrícola e evitaria competir com a Alemanha industrial; a supressão dos partidos políticos e dos sindicatos trabalhistas; uma política de repressão, não apenas contra os judeus e estrangeiros, mas também visando organizações tais como a Maçonaria; e crescente autoridade à Igreja, bem como novas leis de herança destinadas a salvaguardar a base camponesa da agricultura. As próprias divisões locais - de departamentos criados pela Revolução e que serviram de base à administração napoleônica - foram abolidas em favor das províncias mais antigas. "O governo", disse Pétain, "apoiará com todas as suas forças todas as instituições que visem evitar a corrupção da moral e a proteção à real felicidade... A França deve voltar a seu caráter basicamente agrícola e camponês, e sua indústria deve tornar a descobrir sua tradicional qualidade. É portanto preciso pôr-se um fim às desordens econômicas presentes pela organização racional da produção e de organizações corporativas."

Mas essa imitação lisonjeadora, embora sincera, produziu pouca impressão na Alemanha. Pétain alimentara a esperança de que a França em paz reteria força bastante para garantir a independência da política. Laval, com seus sonhos de um Bloco Latino, acreditara em que uma orientação no sentido do sistema fascista faria com que Mussolini protegesse a França contra Hitler e a usasse como uma aliada que pudesse contrabalançar o poderio de uma Alemanha por demais poderosa. Ambos sofreram rude decepção. Nem o avanço para uma ditadura totalitária, nem a instalação de uma corte para julgar os líderes acusados da responsabilidade pela guerra serviram para aquietar as censuras persistentes dos nazistas. O governo era apressado por constante pressão em favor de novas medidas. Os recursos da França foram debilitados pelo fechamento da fronteira da zona ocupada, o que não apenas cortou as comunicações e suprimentos como deixou a área meridional ainda superlotada com a massa de refugiados. A solicitação do governo para que lhe fosse permitida a volta para Paris, embora baseada especificamente nos termos do armistício, foi rejeitada; pois que, embora a solicitação pudesse demonstrar que Pétain não tinha esperanças de fazer uma política que pudesse ofender os conquistadores, os alemães não tinham desejo algum de ver uma possível autoridade rival na zona ocupada. A organização daquela zona, e particularmente as medidas para chamar a Alsácia para mais perto do Reich, demonstravam a decisão alemã de manter a França dividida e de multiplicar as dificuldades que pudessem criar confusão contínua e evitar aquele renascimento que o governo francês tão carinhosamente acalentava. Mais e mais o regime Pétain parecia composto de velhos desesperados a lutar para firmar pé em meio as circunstâncias que jamais poderiam compreender ou controlar. A vaga percepção disto pareceu surgir para Pétain quando se queixou a um grupo de jornalistas, a 20 de agosto: "Estamos presos de modo absoluto aos termos do armistício. Os alemães seguram a corda e torcem-na cada vez que acham que o acordo não está sendo cumprido." (Um dos repórteres atribuiu-lhe uma frase ainda mais pitoresca: "A França está manietada por uma fronteira desde o Atlântico até os Alpes. Toda a vez que fazemos alguma coisa que desagrada as autoridades ocupantes, estas apertam ainda mais as correias.)

Biografia de Vasili Zaitsev


Biografia de Vasili Zaitsev


Vassili Zaitsev e Vasily Chuikov - Stalingrado

O início da 2ª Guerra Mundial foi marcado pelo avanço das tropas hitleristas na Europa. Usando-se de uma estratégia conhecida como Blitzkrieg, o III Reich ampliava suas fronteiras a cada dia, chegando à conquistar quase metade da França, ocupar a Polônia, Tchecoslováquia, Romênia, Iugoslávia, Grécia e Hungria, partindo então para cima da União Soviética em uma operação conhecida como Barbarossa(homenagem ao imperador do Sacro Império Romano-Germânico que liderou uma expedição católica contra o Leste Europeu ortodoxo). Adentrando território soviético os fascistas alemães escravizavam as populações subjugadas e marchavam em direção ao leste, chegando nos portões de Moscou e cercando Leningrado, todavia resistia heroicamente uma cidade às margens do rio Volga, tida como um dos símbolos da URSS, essa cidade era conhecida como Stalingrado.

Durante o início da batalha de Stalingrado as condições que os russos enfrentavam eram extremamente difíceis, pois os alemães queriam os campos de petróleo do sul da Rússia, do Cáucaso e o controle do rio Volga. Era uma região de extrema importância econômica, industrial e política, o que fazia com que os nazistas levassem não só infantaria bastante numerosa, mas também tanques, aviões de caça, bombardeiros, canhões e infantaria blindada. Visto que a cidade industrial de Stalingrado não tinha grande concentração de efetivos militares, as condições eram extremamente difíceis e a vitória alemã parecia iminente. Todavia os efetivos para Stalingrado foram aumentados, contando com o comando de vários generais soviéticos, unidades da NKVD e a chegada de soldados de todas as partes da URSS. Hitler chegou a declarar uma guerra pessoal entre ele e Stalin, tornando-se assim um conflito entre o Vozhd e o Fürrer.

A população civil fugia, todavia não era possível que uma boa parte escapasse, fazendo com que muitos civis sofressem com a guerra ou se juntassem à luta como partizans(guerrilheiros comunistas). Um esforço sobrenatural era feito, cada fábrica, cada casa, cada rua era disputada arduamente. Efetivos não paravam de chegar, chegou-se a fazer uma ponte alguns centímetros abaixo do rio Volga(a primeira da história), trens blindados chegavam trazendo divisões do Exército Vermelho, uma dessas, a 284ª divisão do 62º exército, trazia dentre vários soldados um pastor de ovelhas siberiano que habitava a região dos Montes Urais. Nascido em Katav-Ivanovskogo, era órfão desde cedo e foi ensinado à atirar desde os 5 anos de idade por seu avô caçador de lobos, esse grande soldado que passaria imortal para a história se chamava Vassili Grigorievitch Zaitsev("lebre" em russo), que chegava à Stalingrado no dia 20 de setembro de 1942. De feições delicadas e olhos azuis o jovem pastor de 27 anos descia no solo de Stalingrado sem um rifle, tudo o que precisava para abater os fascistas.

Devido à falta de munições muitos soldados tinham de ficar atrás de outro que tivesse um rifle para pegá-lo quando este morresse, recebendo apenas uma tira de balas. Vassili recebeu apenas as balas, mas não ficou com o rifle. Avançando pela cidade junto da sua pequena tropa(que foi facilmente vencida pelos alemães entrincheirados), Vassili escondeu-se entre os cadáveres dos seus camaradas mortos e segundo relatos do livro Enemy at the gates("O Círculo de Fogo", transformado em filme) através do camarada comissário Igor Danilov apossou-se de um rifle e atirando apenas quando soava o som das explosões(afim de que não fosse ouvido o barulho do rifle), abateu 5 fascistas que estavam em um estabelecimento próximo sem ser percebido e sem levar um só tiro, o que conquistou a atenção do camarada comissário Danilov.

Naquele momento em que o jovem soldado Vassili mostrava proezas heróicas abatendo os soldados hitleristas, o camarada Nikita Khruschev chegava à Stalingrado para cobrar dos líderes militares e dos comissários. Uma das sugestões para um melhor desempenho dos soldados, agoniados com a provável vitória das tropas do III Reich, partiu do camarada Igor Danilov, comissário e jornalista que sugeriu publicação do jornal militar novamente e a exaltação do sacrifício pessoal e a dedicação à causa comunista, mostrando como exemplo aquele que conhecera de perto, o lendário atirador de elite Vassili Zaitsev.


O Moisin-Nagant 91/30, o modelo do rifle usado por Vassili(que hoje está no museu de Stalingrado)

Tal proeza funcionou e Vassili foi promovido para a divisão dos atiradores de elite, seu nome foi publicado nos jornais militares e ainda se tornou a grande sensação das primeiras páginas do jornal "Pravda", o qual era lido por milhões de pessoas na URSS, dando grandes esperanças ao povo soviético e aos soldados do Exército Vermelho. De fato as proezas de Zaitsev eram lendárias, por exemplo, no período de apenas 10 dias ele já havia eliminado cerca de 40 oficiais alemães de alta patente, corajosa atitude essa que fizera dele também o mais falado nas rádios soviéticas e o mais popular soldado da cidade e um dos mais da URSS(senão o mais popular). Foi devido à necessidade de mais soldados como ele, que Danilov encarregou Vassili de treinar e instruir outros atiradores de elite, dentre os quais a oficial russa-americana Tatiana Tchernova, que voltou dos EUA para a URSS quando a guerra havia começado. Obcecada pelo desejo de vingança contra os nazistas que executaram seus avós, Tania perdera também seus pais durante a guerra, e por isso sob instruções de Vassili Zaitsev tornou-se uma exímia franco-atiradora, matando um grande número de soldados alemães junta com seu instrutor.

Tania Tchernova também veio a tornar-se a namorada de Zaitsev, vindo a iniciar um relacionamento duradouro. Além de Tania, Vassili também deu eficaz treinamento à outros atiradores, procurando sempre compartilhar com estes seu conhecimento e táticas que utilizava na taiga siberiana. Vassili Zaitsev era um exímio atirador de elite, com seu rifle Moisin-Nagant 91/30(na época um dos melhores do Exército Vermelho) foi capaz de abater só em Stalingrado 242 nazistas, dentre soldados, oficiais e até atiradores de elite alemães, com os quais travou árduas lutas, sendo a mais épica dessas a luta com o major alemão Heintz Thorvald, também conhecido como Major König. Esse rico caçador de veados da Bavária foi enviado apenas com a missão de abater Vasha(como também era conhecido Vassili), fato que comprovava sua fama até mesmo entre os soldados alemães, o que fazia dele um arcanjo para os soviéticos e demônio para os alemães.

Ambos assistenciados, o duelo entre o comunista pastor de ovelhas e o nazista caçador de veados seria um dos épicos episódios da batalha de Stalingrado, pois além de sua extensa duração foi marcado por momentos em que ambos estiveram próximos da morte, momentos em que a sorte esteve presente, em que a ânsia e a angústia estiveram presente nos corações daqueles que aguardavam os resultados daquele duelo, fossem civis ou militares, enquanto que com toda cautela, mas sobretudo com calma os atiradores souberam levar tal conflito. Uma das desvantagens de Vasha era o fato de que seus atos haviam sido observados, sendo levados ao conhecimento de König, daí o fato de que ninguém sabia em que lugar o major fascista iria estar. Justamente por tal fato ajudarou a Vassili um garoto russo que fazia as botas do major para fingir estar do lado alemão mas na verdade marcar os encontros do soldado do Exército Vermelho e do major da Wermatch. Além do garoto ajudou-o também Nikolay Kulikov, que conheceu o major na Alemanha durante a época do tratado de não-agressão, buscando durante dois dias sinais do alemão e observando seus hábitos.

Acompanhando Vassili, Kulikov usou-se de binóculos para scannear as linhas inimigas quando estas travavam nas ruas batalhas e desferiam ataques contra as tropas soviéticas, sempre escondendo-se em prédios ou outras edificações. No terceiro dia quem o acompanhou foi o camarada comissário Igor Danilov, que acreditando ter avistado o alemão levantou-se e levou um tiro no ombro. Zaitsev queria saber aonde o major estava escondido e sobre isso William Craig relata no livro "Inimigo nos portões" que "para testar sua teoria, Zaitsev pôs uma luva em um pedaço de madeira e a exibiu, tendo esta imediatamente recebido um tiro, quando após esse momento Zaitsev verificou e percebeu que König estava abaixo de uma chapa de ferro".

Após muito tempo de espera com a sua paciência de siberiano, Vassili finalmente estava pronto para abater o nazista, quando então seu amigo Kulikov deixou a amostra um capacete do Exército Vermelho e Konig atirou e veio a verificar se Zaitsev estava morto, mas pelo ressentimento de ter seu amigo Danilov atingido e sua namorada Tania Tchernova ferida por uma mina atirada pelos nazistas, Zaitsev com todo o ressentimento e sede de justiça esperou o major chegar perto e disparou a bala de seu Moisin-Nagant diretamente em sua cabeça. Thorvald estava morto e o camarada Vassili apanhara então seu rifle K-98 como troféu do duelo. Este foi um dos mais épicos episódios de sua vida. Após o duelo o camarada Vassili Zaitsev veio a matar vários outros fascistas que infernizavam a vida dos cidadãos de Stalingrado. Indomável e audacioso ficaria conhecido em toda a cidade por seus feitos heróicos, tanto pelos comunistas quanto pelos nazistas, por quem era tão temido. Para se ter uma idéia muitos exércitos ficaram desmoralizados pelas perdas de oficiais que Vasha matou, daí a razão de ter sido designado um "super-atirador" alemão para matá-lo.

Vassili seria designado posteriormente como comandante dos atiradores de elite, que viam nele uma inspiração e um grande professor que procurava repassar aos alunos todos os conhecimentos aprendidos. Em janeiro de 1943 Vassili Zaitsev veio a ser gravemente ferido, sendo levado para Moscou e tratado no principal hospital da cidade com o professor universitário Filatov, um dos melhores médicos do país. Zaitsev pôde no mesmo ano retornar a Stalingrado e reecontrar seus amigos atiradores de elite e sua companheira Tania Tchernova.

À pedido seu veio a atuar no front de batalha como soldado comum, demonstrando clara determinação e heroísmo de um soldado exemplar. Após Stalingrado, Zaitsev atuou em Dniestre já com a patente de capitão. Nesse período o camarada capitão veio a escrever dois famosos manuais para atiradores de elite. Condecorado com a Ordem da Guerra Patriótica, duas Ordens da Bandeira Vermelha, várias vezes condecorado com a Ordem de Lenin, além de medalhas menores, Vassili Zaitsev recebeu então a medalha da Estrela Dourada e o status de "Herói da União Soviética", vindo a ser condecorado ainda outras vezes por ser veterano de guerra de Stalingrado.

Após o término da guerra Zaitsev desmobilizou-se e passou a ser um veterano de guerra, trabalhando como diretor de uma fábrica de construção de carros em Kiev, tendo terminado esse trabalho somente em 15 de dezembro de 1991, quando apenas o corpo físico deste grande herói nos deixava, enquanto sua memória, feitos e atitudes permanecem vivos na história daqueles que tão duramente em Stalingrado lutaram, que lêem esta curta biografia e que vivem hoje nas cidades aonde Zaitsev lutou e nos deu o exemplo de que podemos com determinação, coragem, vontade de avançar, otimismo, humanismo e luta, vencer os obstáculos que nos impõem dificuldades, levar a frente a luta de classes em direção a vitória do ideal popular comunista! Vassili Zaitsev foi um grande herói que a história dos homens jamais pode esquecer e que deve permanecer sempre vivo em nossas mentes, que se manteve leal ao ideal de Lenin e Stalin à todo tempo!


Túmulo de Vasily Grigoryevich Zaitsev


Bibliografia: Za Volgoi Zemliy dlya nas ne bylo. M., 1981 i dr. - Velikaya Otechestvenaya Voyna 1941-1945: Entsik.-M.: Sov. entsiklopediya - Geroi Sovietskogo Soyuza: Kratkiy Biograficheskiy Slovar. T. I. M.: Voyeniz. 1987. - Samsonov, A. M. Stalingrad Bitva. M. Nauka. 1968 - Enemy at the Gates: The History Behind the Movie(documentário do The History Channel) - http://www.warheroes.ru

NATAL EM STALINGRADO


Natal Em Stalingrado


Forças russas em Stalingrado

Goebbels considerou este relato, do correspondente de guerra Heinz Schröter, muito impressionante para ser publicado na época :
No dia previsto, os combatentes de Stalingrado celebraram sua festa de Natal. Um céu cor de cinza estendia-se pesadamente sobre a estepe nevada. Um frio implacável cristalizava a paisagem. Em Stalingrado não havia mesas cobertas com toalhas brancas, nem nozes, nem maçãs: só algumas pequenas árvores de Natal, enviadas pelo correio. Aquele que dispunha de uma vela, acendia-a por momentos, colocando-a no gargalo de uma garrafa, calcando-a sobre uma táboa, dentro do capacete ou em algum ramo de árvore. Depois, apagava-se e guardava-se para outra noite. As árvores de Natal e os discursos alusivos à festividade perdiam todo o valor simbólico no meio das munições, quase sem pão e naquele ambiente de promiscuidade. Os homens sentavam-se muito perto uns dos outros. Táboas e caixotes serviam de mesas, os recipientes de metal faziam-se de copos. Os mais favorecidos bebiam aguardente, ou mesmo vinho. A maioria contentava-se com chá, ou neve derretida. É difícil descrever os sentimentos que animavam estes homens a minha volta. Aqueles soldados apenas tinham de comum as suas mãos vazias e a abóbada do céu, cercada por uma fumarada cor de sangue. Perguntavam-se por que motivo permitia Deus voltasse o Natal, quando os homens, dominando a Sua voz com o tumulto da guerra, continuavam a matar-se uns aos outros. Houve muitas companhias que passaram o Natal assim. Só a nossa viveu um verdadeiro conto de Natal - o primeiro e o último. Chegara da Alemanha quatro semanas antes. Avançava em estado de alerta sobre uma camada de neve com 40 centímetros de espessura. Depois de três horas de marcha, as primeiras filas da companhia detiveram-se. Com os rostos açoitados pela neve, vimos, repentinamente, uma aparição fantástica. Uma estaca de três metros de altura, sobre a qual mão desconhecida colocara uns paus transversais, que estavam cravejados de velas, cujas chamas tremeluziam sobre a estepe. Diante dessa árvore de Natal improvisada, recortava-se a estranha silhueta de um homem que sustentava na mão direita uma tosca cruz, feita com duas tábuas. Por detrás das árvores apinhava-se um grupo alucinante: uma dúzia de homens, envoltos em mantas, apoiados em muletas e cajados e com as cabeças cobertas de ligaduras. Espontaneamente nossa companhia formou em redor um semicírculo. Tiramos os capacetes. O homem que empunhava a cruz aproximou-se e disse: - Sabíamos que passavam por aqui esta noite. Quisemos fazer-lhes esta surpresa. Os da companhia sorriram um pouco amargamente... - Vivemos hoje - prosseguiu o homem - a noite de Natal; e amanhã será o dia em que a cerca de dois mil anos, teve início a Redenção. Aquele dia e aquela noite deveriam trazer a paz. Lutamos contra um inimigo que não conhece aquela noite nem aquele dia. Agora, saibamos dar a Deus o que é de Deus; quando esta hora tenha decorrido, dareis a César o que é de César. Depois o homem recitou o Glória: "E paz na terra aos homens de boa vontade". Disse em voz alta o texto latino e não o envergonhou falar de paz. Rezou um Pater Noster em alemão, para os protestantes. Os cento e vinte e um homens acompanharam-no a uma só voz diante da "árvore" iluminada: "...mas livrai-nos do mal. Amém". As ladeiras geladas do barranco repetiram surdamente aquele "Amém". Depois a 9ª Companhia cantou as três estrofes de Stille Nacht, heilige Nacht. Jamais este cântico terá tido tal vibração, no meio de uma desolação semelhante a esta. No que respeita ao correio, esse montão de cartas e postais destinados a vencer a distância que os separava de seu país, já quase nada chegava às suas mãos. Algumas sacas tinham sido atiradas para dentro da grande mala: que representava, porém, tão pequena quantidade para tanta gente? Basta dizer que 380 das sacas de correio destinadas a Stalingrado foram queimadas em Chiov porque, no dia da ofensiva russa, um transporte ambulante de correio que vinha de Dresden atrapalhou-se e, ao ouvir anunciar que os carros russos se encontravam a apenas 10 quilômetros, não se lembrou de colocar uma saca em cada um dos veículos que circulavam sem interrupção no caminho de Nijni-Chircaya. A maioria dos soldados passou tristemente o Natal e com uma secreta angústia ao ver reduzida para 100 gramas a sua ração de pão. Quanto ao tempo dedicado ao Natal pela emissora Grande Alemanha, foi tomado como piada de mau gosto e acolhido com palavrões. Os homens sofriam, tinham fome. A organização do abastecimento não era suficiente. A bolsa de resistência dispunha dos aeródromos de Pitomnik e Gumrak, do campo auxiliar de Bassargino e do de Stalingradsky, para as aterrissagens forçadas. O exército dera ordem de disparar contra os que praticassem pilhagens. Nos setores de quatro divisões, situadas a oeste e ao sul de Stalingrado, 364 homens foram executados em três dias, por covardia, deserção, roubo de provisões... Sim, por roubo. Certa manhã, arrancaram o soldado Wolf do buraco onde se encontrava. É ouvido, julgado e condenado à morte. A execução realiza-se num quarto mobiliado com uma mesa, três cadeiras e um fogão. Na parede está pendurado um retrato de Lênin. Nada há como a fome para levar ao crime...

Batalha de Berlim


Batalha de Berlim
   


O Prelúdio da Batalha

A partir de 12 de janeiro de 1945, o Exército Vermelho começou a Ofensiva de Vistula-Oder através do rio Narew e, a partir de Varsóvia, uma operação de três dias em uma ampla frente que incorporou quatro frentes do Exército soviético. No quarto dia, o Exército Vermelho rompeu as linhas inimigas e começou seu avanço  para oeste, numa média de 30 km a 40 km por dia, contestando a Prússia Oriental, Danzig e Potsdam, e estabelecendo uma linha de sessenta quilômetros a leste de Berlim, ao longo do rio Oder.

O recém-criado Grupo de Exércitos Vístula, sob o comando do Reichsführer-SS Heinrich Himmler, tentou um contra-ataque, que só ocorreu no dia 24 de Fevereiro. O Exército Vermelho então se dirigiu para a Pomerânia, abrindo a margem direita do Rio Oder, atingindo assim a Silésia.

No sul o Cerco de Budapeste, estava dramático. Três tentativas alemãs para aliviar o cercou a capital húngara Budapeste falharam e a cidade é dominada pelos soviéticos em 13 de Fevereiro. Adolf Hitler insistiu em um contra-ataque para recapturar o triangulo Drau-Danúbio. O objetivo foi estabelecido para garantir a região petrolífera de Nagykanizsa e recuperar o rio Danúbio para ações futuras. As forças esgotadas alemãs tinham recebido uma tarefa impossível. Em 16 de março, a ofensiva alemã falhou, e dentro de vinte e quatro horas um contra-ataque do Exército Vermelho tomou de volta tudo o que os alemães haviam ganhado em dez dias. Em 30 de Março, os soviéticos entraram na Áustria e, durante a ofensiva de Viena, eles finalmente capturaram Viena a 13 de abril de 1945.

Entre junho e setembro de 1944, a Wehrmacht tinha perdido mais de um milhão de homens, e faltava combustível e armamento que eles tanto precisavam para funcionar eficazmente. Em 12 de abril de 1945, Adolf Hitler, que já havia decidido permanecer na cidade de Berlim, contra a vontade do seus assessores, ouviu a notícia de que o presidente americano Franklin D. Roosevelt tinha morrido. Esta notícia brevemente levantou falsas esperanças no Führerbunker de que poderia ainda haver uma briga entre os Aliados, e que Berlim seria salva no último momento como já aconteceu uma vez antes, quando foi ameaçada no passado.

Nenhum plano foi realmente autorizada para se conquistar a cidade de Berlim pelos americanos e britânicos. O General Dwight D. Eisenhower perdeu o seu interesse na corrida para Berlim e não via a necessidade de continuar a sofrer pesadas baixas em atacar uma cidade que estaria na esfera de influência soviética após a guerra. Eisenhower previa que poderia haver choque entre ambos os exércitos se tentassem ocupar a cidade de uma vez. A principal contribuição dos Aliados ocidentais para a batalha foi o bombardeio estratégico de Berlim durante o ano de 1945. Em 1945, a Força Aérea do Exército dos Estados Unidos lançou uma série de grandes ataques diurnos sobre Berlim, e a noite a cidade foi atacada seguidamente por 36 pela RAF, que terminou seus raides na noite de 20/21 de abril 1945, pouco antes dos soviéticos entrarem na cidade.

Preparativos
O ataque final à Alemanha, seria efetuado por três Grupos de Exércitos soviéticos (os soviéticos utilizavam a designação «Frente» para referir um grupo de exército). As três frentes soviéticas tinham completamente 2,5 milhões de homens (incluindo 78.556 soldados do 1º Exército polonês), 6.250 tanques, 7.500 aeronaves, 41.600 peças de artilharia e morteiros, 3.255 caminhões onde estavam montados lançadores de foguetes Katyusha (apelidado de "Órgãos de Stalin"), e 95.383 veículos a motor. A Ordem de Batalha das Frentes eram:
Ao norte a 1ª Frente da Bielorússia, sob o comando do marechal Rokossovski, contava com os seguintes exércitos:
2º Exército de choque (2 corpos de exército)
65º Exército (3 corpos de exército)
70º Exército (3 corpos de exército)
49º Exército (5 corpos de exército)
19º Exército (3 corpos de exército)
5º Exército blindado da guarda (1 corpo de exército e duas brigadas)
4ª Força Aérea
Diretamente em frente a Berlim, estariam as tropas da 2ª Frente da Bielorrússia, sob o comando do marechal Zhukov, com a incumbência de atacar diretamente Berlim e de tomar a cidade com as seguintes forças:
61º Exército (3 corpos de exército)
1º Exército polaco (5 corpos de exército)
47º Exército (3 corpos de exército, 1 regimento blindad, 5 regimentos de artilharia assalto)
3º Exército de choque (4 corpos de exército. Um deles blindado)
5º Exército de choque (3 corpos de exército)
8º Exército da guarda (3 corpos de exército, 3 regimentos independentes de blindados, 7 regimentos de artilharia de assalto)
69º Exército (3 corpos de exército, 1 brigada blindada, 4 regimentos de artilharia de assalto)
33º Exército (3 corpos de exército)
16º Exército aéreo
18º Exército aéreo
1º Exército blindado da guarda (3 corpos de exército)
2º Exército blindado da guarda (3 corpos de exército)
3º Exército (3 corpos de exército e 3 regimentos de artilharia de assalto)
A sul a 1ª Frente da Ucrânia, sob o comando do marechal Koniev, cujos exércitos se posicionam de forma a poder tomar Berlim, se conseguirem ser mais rápidos que os exércitos de Zhukov. As forças de Koniev eram as seguintes:
3º exército da guarda (4 corpos de exército, um deles blindado)
13º exército (3 corpos de exército, 1 regimento blindado independente e 4 regimentos de artilharia de assalto)
5º exército da guarda (4 corpos de exército, um deles blindado)
2º exército polaco (3 corpos de exército um dos quais blindado)
52º exército (4 corpos de exército, um deles mecanizado)
2º exército aéreo
3º exército blindado da guarda (3 corpos de exército)
4º exército blindado da guarda (3 corpos de exército)
28º exército (3 corpos de exército)
31º exército (1 corpo de cavalaria, 1 brigada blindada independente)
Para se opor à avalanche de 26 Exércitos soviéticos, as forças alemãs chamaram o general Gothard Henrici, um especialista de ações defensivas, que passa a comandar o grupo de exércitos do Vístula. O grupo de exércitos do Vístula, era composto pelas seguintes forças:
III Exército blindado (3 Corpos de Exército e a guarnição de Swinemunde )
IX Exército (4 Corpos de Exército e a guarnição de Frankfurt-Oder)
Existia ainda um corpo de exército de reserva (Corpo de Exército Steiner)
No flanco sul, participou também na batalha de Berlim, o V Corpo de Exército, que ficou isolado do resto do IV Exército .
A ofensiva soviética na região central da Alemanha, que mais tarde se tornou a Alemanha Oriental tinha dois objetivos. Stalin não acreditava que os Aliados ocidentais iriam ceder território ocupado por eles no pós-guerra para a zona soviética, e assim que começou a ofensiva numa frente ampla, ele ordenou que os soviéticos se encontrasse com as tropas ocidentais o mais longe que possível. Mas o objetivo principal era capturar Berlim. N a verdade esses dois objetivos eram complementares, pois a posse de uma grande zona não podia ser ganha rapidamente a menos que Berlim foi tomada. Outra consideração era que Berlim no pós-guerra teria ativos estratégicos, incluindo Adolf Hitler e o programa de bomba atômica alemã. Em 6 de Março, Hitler nomeou o tenente-general Helmuth Reymann como o comandante da Defesa da Área de Berlim substituindo o tenente-general Bruno Ritter von Hauenschild.

Marechal Zhukov, comandante da 2ª Frente da Bielorrússia, que tinha a incumbência de atacar diretamente Berlim e de tomar a cidade

Em 20 de Março, o general Gotthard Heinrici foi nomeado Comandante-em-Chefe do Grupo de Exército Vístula substituindo o Reichsführer-SS Heinrich Himmler. Heinrici foi um dos melhores estrategistas de defesa no exército alemão e ele imediatamente começou a traçar planos de defesa. Heinrici corretamente avaliou que o principal impulso do avanço soviético seria feita sobre o rio Oder e ao longo da principal Autobahn leste-oeste. Ele decidiu não tentar defender as margens do rio Oder, com nada mais do que uma teia de escaramuças leves. Em vez disso, Heinrici alocou engenheiros, para fortalecer as defesas nas Colinas de Seelow que dominavam o rio Oder, no ponto onde a Autobahn o atravessava. Isto estava a cerca de 17 quilômetros a oeste do Oder e a 90 quilômetros a leste de Berlim. Heinrici diluiu a linha de defesa em outras áreas para aumentar os recursos humanos disponíveis para defender as colinas. Os engenheiros do exército alemão transformaram as margens do Oder, já saturado pela corrente da primavera em um pântano, liberando as águas de um reservatório a montante, como forma de dificultar a movimentação de tanques e blindados. Atrás deste os engenheiros construíram três cinturões de defesa.  Estes embasamentos chegavam aos arredores de Berlim (as linhas mais próximas de Berlim, foram chamadas de posição Wotan). Estas linhas consistiam de valas anti-tanque, embasamentos anti-tanque e uma extensa rede de trincheiras e bunkers.

Aqui Hitler é visto com Willi Huebner de 16 anos (ele parece mais novo) que foi condecorado com a Cruz de Ferro, Segunda Classe, por seus  serviços na recaptura de Lauban em março de 1945. O garoto era um mensageiro e se distinguiu em seu serviço.

A 9 de Abril de 1945, Königsberg, na Prússia Oriental, cai sob o domínio do Exército Vermelho, liberando assim a 2ª Frente da Bielorrússia do Marechal Rokossovsky para avançar em direção à margem oriental do rio Oder. Durante as primeiras duas semanas de abril, os russos realizaram a sua mais rápida realocação de unidades na guerra. O General Georgy Zhukov concentrou a sua 1ª Frente da Bielorrússia, que havia sido posicionada ao longo do rio Oder, em uma área em frente as Colinas de Seelow. A 2ª Frente da Bielorrússia moveu-se então para as posições deixadas pelas forças de Zhukov ao norte de Seelow. Enquanto a reorganização ocorria, espaços foram deixados entre as frentes e parte das forças do II Exército Alemão, que tinham formado bolsas de resistência perto de Danzig na Pomerânia, conseguiram escapar através do rio Oder. Para o sul, o Marechal Konev deslocou o peso principal da sua 1ª Frente da Ucrânia na Alta Silésia para o noroeste até o rio Neisse.

O III Exército Panzer comandado pelo General Hasso von Manteuffel foi posicionado para receber o grosso da arremetida das forças da 1ª Frente da Bielorrússia. Suas tropas eram uma miríade de unidades desfalcadas de homens e equipamentos. À sua direita, estavam posicionados o IV Exército Panzer e o IX Exército Alemão, este último sob ordens do General Theodore Busse. Suas tarefas eram auxiliar o III Exército Panzer e, mais importante de tudo, impedir que as forças de Konev realizassem o movimento em pinça pelo sul que cercaria a capital do Reich e as forças que a defendiam.

A Batalha do Oder-Neisse
Zhukov havia decidido concentrar tropas no intuito de atacar o último obstáculo natural antes de Berlim: as Colinas de Seelow. Neste setor aconteceria a maioria dos combates na ofensiva global, era a última grande linha defensiva fora de Berlim. Seria uma tarefa difícil tomar posições inimigas escondidas em locais que possibilitavam aos alemães vislumbrarem do alto a movimentação do Exército Vermelho. Entretanto Zhukov sabia que uma vez conquistado aquele ponto da frente de batalha, Berlim estaria apenas à 60 quilômetros de seus exércitos.

Essa batalha durou quatro dias, de 16 de Abril até 19 de abril, foi um das últimas batalhas campais da Segunda Guerra Mundial, e envolveu quase um milhão de soldados do Exército Vermelho e mais de 20.000 tanques e peças de artilharia estavam em ação para romper os "Portões para Berlim", que foi defendido por cerca de 100.000 soldados alemães 1.200 tanques e canhões. No entanto, as forças soviéticas lideradas por Zhukov finalmente romperam as posições defensivas, tendo sofrido cerca de 30.000 baixas, enquanto os alemães perderam 12.000 homens.

O ataque as Seelow começou na madrugada de 16 de abril. A 1ª Frente da Bielorrússia abriu o ataque com fogo de artilharia e barragem de foguetes Katiuchas. O poder de fogo era avassalador. Segundo alguns relatos, o impacto dos projéteis de artilharia foi sentido em Berlim, a pouco mais de sessenta quilômetros dali. Mais ao sul, as tropas de Konev também abriram fogo contra as posições alemães. Pouco depois sua infantaria e tanques avançavam sobre as defesas alemães situadas do outro lado do Oder. Para Zhukov o ataque não saiu como planejado. Com a decisão de Heinrici de concentrar suas unidades na segunda linha de defesas, o fogo soviético apesar de imenso, pouco dano causou. Quando chegou a hora dos tanques avançarem, não só encontraram muito lodaçal e crateras abertas por sua própria artilharia, como também se viram frente à frente com intactas unidades de defesa do inimigo. Posicionados nas Seelow a artilharia alemã possuía excelente visão dos atacantes às margens do rio. O poder de fogo delas não tardou em abrir claros na compacta formação de tanques e blindados soviéticos. Enquanto isso, o Primeiro Front Ucraniano obteve sucesso em seu avanço. Os exércitos de Konev cruzaram o rio Oder com relativamente poucas baixas e já faziam os alemães recuarem. O IV Exército Panzer sob ordens do general Fritz-Hubert Gräser lutava desesperadamente para manter as margens do rio, mas agora não apenas se via empurrado para trás pelo avanço inimigo, como já havia a ameaça de ter sua coesão quebrada. Suas unidades começavam a perder contato entre si uma vez que os soviéticos se infiltravam nos espaços deixados sem defesa. Com as dificuldades de Zhukov em frente as Seelow, Stalin permitiu que Konev utilizasse seus exércitos para atacar Berlim pelo sul.

Os alemães, aqui tropas pára-quedistas, estavam fortemente entrincheirados nas Colinas de Seelow.

Assim, no dia 18 de abril, Konev ordenou que o Terceiro Exército de Tanques de Guardas do general Pavel Rybalko e o Quarto Exército de Tanques de Guardas sob o general Dmitri Lelyushenko realizassem inflexão de suas forças para o norte para atacar Berlim pelo sul. Durante este período, a 1ª Frente da Bielorrússia realizou custosos e lentos progressos para tomar as posições alemães nas Colinas de Seelow.

Durante o dia 19 de Abril, no quarto dia de ofensiva soviética, a 1ª Frente da Bielorrússia atravessou a linha final das Colinas Seelow, não conseguiu quebrar as formações alemãs que situavam-se entre eles e Berlim. A 1ª Frente da Ucrânia, tendo capturado Forst no dia anterior, estava avançando em campo aberto. Um avanço poderoso por parte do Terceiro Exército de Tanques de Guardas do general Pavel Rybalko e do Quarto Exército de Tanques de Guardas sob o general Dmitri Lelyushenko em direção ao norte para atacar Berlim pelo sul, enquanto outros exércitos avançavam para o oeste para uma seção da linha da frente a sudoeste de Berlim sobre o Elba. Com isso, as forças soviéticas estavam a conduzir uma cunha entre o Grupo de Exércitos Vístula alemão no norte e o Grupo de Exércitos Centro, no sul. Até o final do dia, a Linha Norte oriental alemã de Frankfurt em torno das Colinas Seelow e ao sul em torno de Forst tinha deixado de existir. Estes avanços permitiram as duas frentes soviéticas envolverem o IX Exército alemão em um grande bolsão a oeste de Frankfurt. Tentativas do IX Exército de sair para o oeste resultaria na Batalha de Halbe. O custo para as forças soviéticas tinham sido muito elevado, entre 1º e 19 de Abril, mais de 2.807 tanques foram perdidos, incluindo, pelo menos, 727 só nas Colinas de Seelow.

O T-35/85 foi o principal tanque soviético na ofensiva contra Berlim.
O T-34/85 foi desenvolvido durante a segunda guerra mundial, com o objetivo de dotar o T-34 (o modelo original armado com um canhão de 76mm) com uma arma principal mais potente, neste modelo de 85 mm, com capacidade para vencer a blindagem dos tanques alemães que começaram a aparecer na fase intermédia da guerra, notadamente os Panzer-IV com canhão longo e mais tarde os Panther e os Tiger. O T-34/85 foi um dos melhores tanques do conflito europeu, embora quando foi colocado em serviço, os carros de combate alemães lhe fossem já superiores, em potência e blindagem.  Tinha tripulação de 5 homens
 
Cerco de BerlimEm 20 de abril, o aniversário de Hitler, a artilharia soviética da 1ª Frente da Bielorrússia começou a atacar o centro de Berlim e não parar até que a cidade se rendeu (o peso das munições disparadas pela artilharia soviética durante a batalha foi maior do que a tonelagem lançada pelos bombardeiros Aliados ocidentais sobre a cidade). Enquanto a 1ª Frente da Bielorrússia avançava em direção ao leste e nordeste da cidade, a 1ª Frente da Ucrânia tinha empurrado as últimas formações da ala norte do Grupo de Exércitos Centro e passou ao norte de Juterbog bem mais do meio do caminho para as linhas de frente dos americanos sobre o rio Elba, em Magdeburg. Para o norte entre Stettin e Schwedt, a 2ª Frente da Bielorrússia atacou o flanco norte do Grupo de Exército Vístula, na área do III Panzer Army do general Hasso von Manteuffel. Durante o dia seguinte, o 2º Exército de Guardas de Bogdanov avançou quase 50 km ao norte de Berlim e, em seguida, atacou a sudoeste de Werneuchen. O plano soviético era circundar Berlim e depois envolver o IX Exército.

O comando do V Corpo V anexado ao IX Exército ao norte de Forst, passou do IV Exército Panzer para o IX Exército. O corpo ainda estava agarrado a linha d frente Berlim-Cottbus. Quando o velho flanco sul do IV Exército Panzer teve alguns sucessos locais em seus contra-ataques contra a 1ª Frente da Ucrânia, Hitler deu ordens que mostraram que o entendimento dele da realidade militar tinha ido embora e tinha ordenado ao IX Exército para assegurar Cottbus e montar um contra-ataque no oeste. Em seguida, eles deviam atacar as colunas soviética que avançavam para o norte. Isso lhes permitiria formar uma pinça no norte, que se reuniria com o IV Exército Panzer vindo do sul e envolveria a 1ª Frente da Ucrânia antes de destruí-la.

Eles deviam se antecipar a um ataque ao sul do III Exército Panzer e estarem prontos para serem o braço sul de um ataque de pinça que envolveria a 1ª Frente Bielo-russa que seria destruída pelo destacamento do General-SS Felix Steiner que avançava do norte de Berlim. Mais tarde naquele dia, quando Steiner deixou claro que ele não tinha as divisões para fazer isso, Heinrici deixou claro para o pessoal de Hitler, que a menos que o IX Exército se retirasse imediatamente ele estava prestes a ser envolvido pelos soviéticos e ressaltou que já era tarde demais para que ele se movesse para o noroeste de Berlim, e teria que recuar para o oeste. Heinrici passou a dizer que, se Hitler não permitisse que ele se movesse para o oeste ele iria pedir para ser dispensado de seu comando.

Enquanto a 1ª Frente da Bielorrússia e a 1ª Frente da Ucrânia cercavam  de Berlim, e começava a batalha pela própria cidade, a 2ª Frente da Bielorrússia de Rokossovsky começou sua ofensiva ao norte de Berlim. Em 20 de Abril entre Stettin e Schwedt, Rokossovsky atacou o flanco norte do Grupo de Exército Vístula, no setor do III Exército Panzer. Em 22 de abril, a 2ª Frente da Bielorrússia tinha estabelecido uma cabeça-de-ponte, na margem leste do Oder, que foi tinha mais de 15 km de profundidade e se engajou fortemente com o III Exército Panzer. Em 25 de Abril, Rokossovsky quebrou a linha de defesa do III Exército Panzer em torno da ponte ao sul de Stettin, atravessou o pântano Randowbruch, e suas tropas estavam agora livres para moverem-se para o oeste em direção ao 21º Grupo de Exércitos de Montgomery no porto báltico de Stralsund.

Os III Exército Panzer e o XXI Exército situados a norte de Berlim recuaram para oeste sob a pressão implacável de Rokossovsky, e acabaram sendo empurrados para um bolsão de 32 km de largura que se estendiam do Rio Elba até a costa. No oeste estava o 21º Grupo de Exércitos britânicos, no leste a 2ª Frente da Bielorrússia de Rokossovsky e para o sul 9º Exército dos Estados que tinham penetrado até leste de Ludwigslust e Schwerin.

No dia 22 de abril Hitler recebe um perturbado telegrama de Goering. “O senhor aceita - pergunta o Reichsmarschall ao Fuhrer - que eu assuma a direção total do Reich, com plenos poderes, no exterior e no interior? Se eu não obtiver resposta antes das 22 horas de hoje, considerarei que cessou sua liberdade de ação e agirei da melhore maneira visando aos altos interesses de nosso povo e de nosso país”. Esse ultimato insolente, esse prenúncio evidente de intenção de negociar com o inimigo, arrancam Hitler do acabrunhamento. Ele recrimina Goering nos termos mais ultrajantes e, depois, com Bormann, que triunfa de um rival execrado, redige suas ordens ao comandante dos SS de Berchtesgaden: Hermann Goering, culpado de alta traição, despojado de todos os títulos e dignidades, é condenado à morte. O Fuhrer, em consideração pelos serviços passados, concede lhe a graça da vida, mas ele deve ser preso imediatamente. Outro telegrama convoca, de Munique a Berlim, o General Barão Robert von Greim, comandante da 6ª Luftflotte, destinado, por Hitler a substituir Goering no comando da Luftwaffe.

Um Fw 190 da II-SG1 ataca tanques soviéticos T-34-85 em Berlim, Abril de 1945

Ainda no dia 22 de Abril, durante a sua conferencia de situação da tarde em Berlim, Hitler caiu em lágrimas de raiva quando percebeu que seus planos do dia, não iriam ser realizados. Ele declarou que a guerra estava perdida, ele culpou os generais e anunciou que iria permanecer em Berlim até o fim e depois se matar. Na tentativa de acalmar Hitler da sua raiva, o general Alfred Jodl especulado que o XII Exército, sob o comando do general Walther Wenck, que estava enfrentando os americanos, poderia mover-se para Berlim, porque os americanos, já às margens do rio Elba, dificilmente iriam mover-se mais a leste. Esta hipótese foi baseada em sua visualização dos documentos capturados, que falavam da organização e divisão da Alemanha entre os Aliados. Hitler imediatamente agarrou a idéia e na hora Wenck foi ordenado a retirar da frente dos norte-americanos e mover seu XII Exército para norte-leste para apoiar Berlim. Foi então que percebeu que, se o IX Exército mudasse para o oeste, poderia articular-se com o XII Exército. À noite Heinrici recebeu a permissão para fazer o seu movimento desejado.

Em outros lugares, a 2ª Frente da Bielorrússia tinha estabelecido uma cabeça-de-ponte na margem ocidental do rio Oder com mais de 15 km de profundidade e se engajou fortemente com o III Exército Panzer. O IX Exército tinha perdido Cottbus e estava sendo pressionado a partir para leste. A ponta de lança do avanço soviético foi no rio Havel, a leste de Berlim e em outro ponto tinha penetrado no interior do anel defensivo de Berlim.

Em 23 de abril, a 1ª Frente da Bielorrússia e a 1ª Frente da Ucrânia continuou a apertar o cerco, incluindo o corte da ultima ligação por terra do IX Exército alemão com a cidade. Elementos da 1ª Frente da Ucrânia continuara a se mover para o oeste e começaram a exercer forte pressão sobre o XII Exército alemão em direção a Berlim. Neste mesmo dia, Hitler nomeou o general Helmuth Weidling como o comandante da Defesa da Área de Berlim substituindo o tenente-general Reymann. Entretanto, em 24 elementos de abril elementos da 1ª Frente da Bielorrússia e da 1ª Frente da Ucrânia tinham completado o cerco da cidade. No dia seguinte, 25 de abril, a estratégia soviético de cercar Berlim foi consolidada com as principais unidades soviéticas sondando e penetrando o seu anel defensivo. Até o final do dia não havia perspectiva de que a defesa alemã da cidade podia fazer nada, mas temporariamente eles podiam atrasar a captura da cidade pelos soviéticos, visto que a fase decisiva da batalha já tinha sido travada e perdida pelos alemães fora da cidade.

A Batalha de Berlim
As forças disponíveis para a General Weidling para a defesa da cidade incluíam cerca de 45.000 soldados, que eram os restos de divisões arrasadas do Exército alemão (Wehrmacht Heer) e das SS (Waffen-SS). Essas divisões foram complementadas com homens da polícia, garotos da Juventude Hitlerista, e homens mais velhos da Volkssturm. Muitos dos 40.000 idosos da Volkssturm tinha estado no Exército alemão quando jovens e alguns eram veteranos da Primeira Guerra Mundial. Hitler nomeou o SS Brigadeführer Wilhelm Mohnke para ser o comandante da batalha para distrito central do governo que incluía a Chancelaria do Reich e o Führerbunker. Ele tinha mais de 2.000 homens sob seu comando. Weidling organizou as suas defesas em oito setores designada de 'A' a 'H' com um coronel ou um general no comando, mas a maioria não tinha experiência em combate. Para o oeste da cidade foi designada a XX Divisão de Infantaria. Ao norte da cidade a IX Divisão de Pára-quedistas. Para a nordeste da cidade a Divisão Panzer Müncheberg. Para a região sudeste da cidade e a leste do Aeroporto de Tempelhof foi designada a XI Divisão Panzer SS Nordland. A reserva, a XVIII Divisão Panzergrenadier, estaria no bairro central de Berlim.

 Homens das Volkssturm lutam desesperadamente em Berlim, 1945. Essas unidades eram formados por homens muito velhos, adolescentes e veteranos inválidos. Eles estavam armados com uma variedade de armas, como a submetralhadora MP38/40 e Panzerfaust. O jovem (o segundo da direita para a esquerda) está armado com uma Volkssturmgewehr 1-5 ou VG 1-5 que foi desenvolvida como uma arma barata e de fácil e rápida produção que deveria equipar os soldados da Volkssturm. Utilizava o mesmo cartucho e pente do rifle StG 44 e tinha um sistema de gás baseado no sistema Barnitzke. Algumas VG 1-5 foram produzidas com seleção de fogo. Cerca de 10.000 unidades foram produzidas entre Janeiro de 1945 e o fim da guerra.
A Panzerfaust encaixou-se perfeitamente nas táticas defensivas Alemãs de 1943 até 1945 e as tripulações de tanques inimigos vieram a temer a arma. Disponível em grandes números, era encontrada em quase todo carro alemão. Muitos membros da Volkssturm em 1945 foram para o combate equipados com apenas a Panzerfaust. Sendo mirada corretamente e a uma distância apropriada, cada soldado Alemão podia ter um tanque destruído no seu crédito.

Em 23 de Abril, o 5º Exército de Choque e o 1º Exército de Tanques de Guardas assaltam Berlim a partir do sudeste e, depois de superar um contra-ataque alemão do LVI Corpo Panzer, chegam a Berlim, no anel ferroviário S-Bahn no lado norte do Canal de Teltow, na noite de 24 de Abril, o cerco se consuma. No mesmo período, todas as forças alemãs receberam de  Hitler ordens de reforçar as defesas internas da cidade, apenas um pequeno contingente de voluntários SS franceses sob o comando do Brigadeführer Gustav Krukenberg chegou a Berlim. Por causa do cerco Keitel fica preso na estrada de Krampnitz, onde fora fazer uma inspeção ao grupo de Heinrici. O ultimo avião a pousar em Berlim, é o de Hanna Reitsch que faz um pouso forçado com seu Fieseler Storch, após ser alvejada por um obus, em sua companhia esta Von Grein que acaba ferido. Hitler o nomeia como Generalfeldmarschall e manda que deixe Berlim para continuar a frente da Luftwaffe. Nesse mesmo dia soldados russos tomam a estação da Silésia e a de Gorlitz. Também nesse dia, Koniev consegue atravessar o canal Teltow, que o havia segurado por quase dois dias. Mas para sua infelicidade Stalin estabeleceu novos limites para o assalto final à cidade e o seu limite ficava a cerca de 150 metros aquém do Reischstag.

Em 25 de abril, Krukenberg foi colocado como o comandante da Defesa do Setor C, o setor sob a maior pressão do ataque soviético sobre a cidade. Neste dia os russos em combates ao norte, no subúrbio de Reinickendorf, ao sul, no de Steglitz, expulsam os SS de Schöneberg, tomam Tempelhof e cobrem de obuses Tiegarten, onde as baterias alemães se acham reunidas.
Soldado alemão morto diante do portão de Brandemburgo
Em 26 de Abril, o o 8º Exército de Guarda, do general Chuikov, um dos exércitos de elite soviéticos, e o 1º Exército de Tanques de Guardas abriram caminho através dos subúrbios do sul da cidade e atacaram o Aeroporto de Tempelhof, dentro do anel defensivo S-Bahn, onde encontraram forte resistência por parte da Divisão Müncheberg. Os soviéticos apoderam-se de Belle-Allianceplatz, a menos de 2 km da Unter den Linden. Ao norte, tomam Tegel e Wittenau, penetram na Siemensstadt e no bairro industrial de Wedding, combatem entre as usinas que, algumas horas antes, ainda forjavam armas alemães.

À noite de 26 para 27 foi de uma calma apavorante. Incêndios avermelham tudo; bombas não detonadas explodem quando as chamas as atingem - mas essas caprichosas das forças de destruição só fazem aumentar o silêncio produzido pela trégua das armas. Quando amanhece, os defensores de Tiegarten têm a surpresa de ouvir um concerto de pássaros. Um momento mais tarde, os lança-foguetes recomeçam a rugir. Com pressa de acabar, os russos dirigem um assalto geral contra o centro de Berlim. As duas divisões alemãs (Müncheberg e Norland]) que estavam defendendo o Sudeste, enfrentavam agora quatro exércitos soviéticos, de leste a oeste, o 5º Exército de Choque, o  8º Exército de Guarda, o 1º Exército de Tanques de Guardas e o 3º Exército de Tanques de Guardas (parte da 1ª Frente da Ucrânia), e assim os alemães foram forçados a recuar para o centro, ocupando novas posições defensivas em torno de Hermannplatz. Krukenberg informou ao General Hans Krebs, chefe do Estado Maior General que dentro de 24 horas a Nordland teria de recuar para o setor central Z (para Zentrum). O avanço soviético para o centro da cidade, ao longo desses eixos principais: a partir do sudeste, ao longo da Frankfurter Allee (terminando e parou na Alexanderplatz), a partir do sul, ao longo da Sonnen Allee terminando ao norte da Belle Alliance Platz, a partir do sul que terminando perto da Potsdamer Platz e do norte que terminava perto do Reichstag. Os soviéticos tomam a estação de Anhalt, atingem a Leipzigerstrasse e a Prinzalberststrasse, entram no QG da Gestapo, onde encontram jogados uns sobre os outros cadáveres de presos políticos executados. A Chancelaria encontra-se a 300 metros apenas. Mas os defensores surgem das ruínas, repelem os assaltantes, retomam e depois perdem novamente o edifício da Gestapo. O ataque parou. A preparação recomeça. A artilharia e os lança-foguetes reabrem fogo. Os caça-bombardeiros russos, que substituíram as esquadrilhas americanas, mergulham em enxames. Uma formidável detonação sacode a cidade inteira, quando um depósito de Panzerfäust explode em Potsdamerplatz, fazendo enorme carnificina. Uma tragédia mais horrível desenrola-se sob as calçadas. Os sapadores executaram a ordem de fazer explodir as comportas do Landwehr Kanal, a fim de inundar os subterrâneos do metrô, utilizados pelos russos. Nas trevas, milhares de civis, que ali se refugiaram, fogem tateando diante da enchente. Centenas de não-combatentes, dos quais uma proporção imensa de crianças perece, seja por afogamento ou por asfixia, entre as estações de Leipzigerplatz e a Unter den Lenden. O Reichstag, a ponte Moltke, Alexanderplatz, e as pontes em Havel Spandau viram os combates mais pesados, de casa em casa e lutas corpo-a-corpo. Os contingentes estrangeiros das SS lutaram particularmente de fogo aguerrida, porque eles eram ideologicamente motivados e acreditavam que seriam poupados com vida se fossem capturado.

Ainda no dia 27 de Abril , Steiner consegue pegar os russos desprevenidos e consegue chegar aos subúrbios de Zehlendorf. Weidling tentando contornar Berlim pelo sul para juntar-se a Wenck, que estar a oeste de Postdam, mas Hitler ordena que ele fique na cidade e defenda-a.

Na madrugada de 28 de Abril, as jovens divisões de Clausewitz, Scharnhorst e Theodor Körner, atacaram a partir do oeste para o sul na direção de Berlim. Eles faziam parte do XX Corpo de Wenck e eram formadas por homens das escolas de formação de oficiais, tornando-se algumas das melhores unidades que os alemães tinham em reserva. Eles cobriram uma distância de cerca de 24 quilômetros antes de serem parados na ponta do Lago Schwielow, a sudoeste de Potsdam, e cerca de 32 quilômetros de Berlim. Durante a noite, o general Wenck comunicou ao Supremo Comando do Exército em Fuerstenberg que o seu XII Exército tinha sido forçado a voltar ao longo de toda a frente. Segundo Wenck, nenhum ataque a Berlim era agora possível. Entretanto, cerca de 25.000 soldados do IX Exército alemão, juntamente com vários milhares de civis conseguiram alcançar as linhas do XII Exército após saírem do bolsão de Halbe. As baixas de ambos os lados foram muito elevadas. Existem cerca de 30.000 alemães enterrados no cemitério de Halbe. Cerca de 20.000 soldados do Exército Vermelho também morreram tentando impedir a fuga, a maioria foi enterrado em um cemitério ao lado do Mark-estrada Zossen. Estes são os números conhecidos de mortos, mas os restos mortais de mais pessoas que morreram na batalha são encontrados a cada ano de modo que o total dos que morreram nunca será conhecido. Ninguém sabe quantos civis morreram, mas poderia ter sido mais de  10.000. Tendo falhado em romper o cerce de Berlim, o XII Exército de Wenck se retirou de combate em direção ao Elba e as linhas americanas.

Abaixo algumas cenas das batalhas de rua em Berlim


No dia 28 os russos extenuados tentam apenas um ataque contra Alexanderplatz com tanques, mas estes são repelidos. Berlim se torna um cemitério para os tanques russos destruídos, Wenck tenta um ultimo assalto contra os russos, porem nada consegue de concreto, ele toma Belzig, lançando desordem nas retaguardas inimigas. Toma Beelitz, chega até a estação ferroviária de Ferch, esta a 20 km de Berlim e apenas a 5 km de Postdan. Mas suas forças estão cansadas e ele suspende a ofensiva. Heinrici, para salvar o III Exército Panzer dá ordens a Tippelkirsch, para voltar até o canal Voss, com isso abandona qualquer esperança de chegar a Berlim. Para total desgosto de Hitler, a Agência Reuter anuncia que Himmler estava tentando negociar a rendição dos exércitos na Itália.

Em algum ponto, entre 28 de Abril ou 29 de abril, o general Gotthard Heinrici, Comandante-em-Chefe do Grupo de Exército Vístula, foi afastado do comando depois de desobedecer ordens diretas de Hitler em Berlim para manter suas posições a todo custo e nunca se retirar, e foi substituído pelo General Kurt Student. O General Kurt von Tippelskirch foi nomeado como substituto interino de Heinrici até Student poder chegar e assumir o controle, enquanto ainda havia alguma confusão a respeito de quem estava realmente no comando. Independentemente de quem estava no comando von Tippelskirch ou Student, a situação se deteriorava rapidamente e os alemães a contribuição do Grupo de Exércitos Vístula durante os últimos dias da guerra foi de pouca importância.

Os combates nas ruas de Berlim eram duros. Aqui uma coluna de tanques soviéticos T-34-85
é encurralada por tropas pára-quedistas usando Panzerfaust e Panzerschreck .

A Batalha do Reichstag
Na madrugada de 29 de abril de 1945 o 3º Exército de Choque soviético atravessou a ponte Moltke e começou um duro trabalho de tomada de ruas e dos edifícios circundantes. Os assaltos iniciais aos edifícios, incluindo o Ministério do Interior, foram dificultados pela falta de artilharia de apoio. Como as pontes danificadas não foram reparadas a artilharia não pode ser movida para dar apoio, o que aconteceu depois. Às 04:00 horas, no Führerbunker, Hitler assinou sua última vontade em seu testamento, e, pouco depois, casou-se com Eva Braun. Ao amanhecer, os soviéticos continuaram com seus ataques no sudeste. Depois de pesados combates eles conseguiram capturar o quartel-general da Gestapo em Prinz-Albrechtstrasse, mas um contra-ataque das Waffen SS forçou os soviéticos se retirarem do edifício. A sudoeste o 8º Exército de Guardas atacou do norte através do canal Landwehr em Tiergarten.

No dia seguinte, 30 de abril, os soviéticos tinham resolvido os seus problemas com as pontes e com o apoio de artilharia às 06:00 lançaram um ataque contra o Reichstag, mas por causa das trincheiras alemãs e o apoio dos canhões de 122mm da gigantesca torre anti-aérea, posicionados a dois quilômetros de distância no o Jardim Zoológico de Berlim. Neste dia apenas o setor governamental, as vizinhanças imediatas ao Tiergarten e estreita faixa que se estendia em direção oeste, do zoológico ao rio Havel continuavam em poder dos alemães. Os russos passaram a empregar um procedimento metódico de ataque, fazendo preceder cada novo assalto por intenso bombardeio de artilharia. A infantaria era apoiada por tanques e elementos da engenharia equipados com lança-chamas e cargas de demolição. No Reichstag combates foram sala a sala e só foi totalmente conquistado o edifico dois dias depois. Por volta das 14:30 após intensa luta no interior do Reichstag, soldados soviéticos emergiram vitoriosos, conduzindo de 2.500 prisioneiros e a bandeira vermelha foi finalmente içada sobre o arruinado edifício. Enquanto que muito próximo dali, cerca de 500 metros, em seu bunker, Hitler se suicida com um tiro e sua esposa Eva Braun, com quem tinha casado no dia anterior, toma veneno, seus corpos foram em seguida cremados. Churchill escreveu, “A pira funerária de Hitler, com o estrondo dos canhões russos cada vez mais próximo e mais alto, simbolizou o melancólico fim do 3º Reich”.  A famosa foto de dois soldados levantando a bandeira da URSS sobre o telhado do edifício foi uma encenação realizada no dia seguinte, que o edifício foi tomado. Para os russos, este é o momento mais significativo da vitória.

A famosa foto da bandeira da URSS tremulando em Berlim

A Batalha para o CentroDurante as primeiras horas de 30 de Abril de 1945, Weidling informou a Hitler em pessoa que os defensores provavelmente esgotaram a sua munição durante a noite. Hitler lhe deu a permissão para tentar uma fuga através das linhas de cerco do Exército Vermelho. Naquela tarde, Hitler e Braun suicidaram-se e seus corpos foram cremados não muito longe do bunker. Em conformidade com a última vontade de Hitler em seu testamento, o almirante Karl Dönitz tornou-se o "Presidente da Alemanha" (Reichspräsident), e Joseph Goebbels tornou-se o novo chanceler da Alemanha (Reichskanzler).

Como o perímetro encolheu e os defensores sobreviventes recuavam cada vez mais, eles ficaram concentrados em uma pequena área no centro da cidade. Até agora, havia cerca de 10.000 soldados alemães no centro da cidade, que estava sendo atacado por todos os lados. Um dos outros eixos principais era ao logo do Wilhelmstrasse onde Ministério da Luftwaffen, reforçado em concreto, foi bombardeada por grandes concentrações da artilharia soviética. Os últimos tanques Tiger alemães do batalhão de Hermann von Salza tomaram posições a leste de Tiergarten para defender o centro contra os ataques 3º Exército de Choque de Kutznetsov (que apesar de fortemente engajados em torno do Reichstag foi enviado para avançar pelo norte de Tiergarten) e o 8º Exército de Guardas avançando pelo sul de Tiergarten. Estas forças soviéticas tinha efetivamente cortaram as forças alemãs pela metade e fez que qualquer tentativa de fuga para o Ocidente por tropas alemãs no centro da cidade fosse algo muito mais difícil.

Canhão soviético M1937
Calibre: 152,4mm
Comprimento: 4,9m
Peso: viajando: 7.930kg; em ação: 7.128kg
Elevação: -2º até +65º
Transversal: 58º
Velocidade inicial do projétil: 655m/s
Alcance máximo: 17.265m
Peso do projétil: 43,5kg

Durante a madrugada de 1º de Maio, Krebs falou ao General Chuikov, comandante do  8º Exército de Guardas, informando-o da morte de Hitler e sua vontade de negociar a rendição da cidade. No entanto, eles não poderiam concordar em condições por causa da insistência soviética na rendição incondicional, e Krebs não tinha autorização para concordar com isso. Goebbels foi contra a entrega da cidade. Na parte da tarde, Goebbels e sua esposa (depois de matar seus filhos) se suicidou. Com a morte de Goebbels era removido o último obstáculo que impedia Weidling de aceitar os termos da rendição incondicional da sua guarnição, mas ele optou por atrasar a entrega até o próximo manhã, para dar algum tempo na escuridão para uma fuga planejada.
 
Rendição
Na noite de 1º/2 de maio, a maior parte dos remanescentes da guarnição de Berlim, tentou sair do centro da cidade em três direções diferentes. Somente aqueles que iam para o oeste através do Tiergarten e atravessaram a Charlottenbrücke (uma ponte sobre o Havel) em Spandau conseguiu romper as linhas soviéticas. No entanto, apenas um punhado de pessoas que sobreviveram a fuga inicial chegou à linha Oeste dos Aliados, porém muitos foram mortos ou capturados pelo Exército Vermelho, na zona oeste do cerco da cidade. Na madrugada de 2 de Maio de 1945, os soviéticos capturaram a Chancelaria do Reich. O historiador militar Antony Beevor aponta que a maior parte das tropas de combate alemãs tinha deixado a área em fugas na noite anterior, a resistência deve ter sido muito menor do que tinha sido no interior do Reichstag. O General Weidling finalmente se rendeu com o seu Staff  às 06:00 horas. Ele foi levado para ver o general Vasily Chuikov às 08:23. Weidling concordou em dá ordem aos defensores da cidade para que se rendessem aos soviéticos. Diante dos generais Chuikov e Vasily, Weidling entregou suas ordens por escrito da rendição alemã. Só então a forte guarnição de 350 homens da artilharia no Zoológico de Berlim finalmente deixou o prédio. Quando havia combates esporádicos em alguns edifícios isolados, onde alguns soldados fanáticos da SS ainda se recusavam a se renderem, os soviéticos simplesmente reduziam a escombros os edifícios.

Soldados soviéticos festejam a conquista do Reichstag depois de duros combates
 
Na noite de 2/3 de maio, o General Hasso von Manteuffel, comandante do III Exército Panzer, juntamente com o General Kurt von Tippelskirch, comandante do XXI Exército, rendeu-se ao Exército dos EUA. O II Exército de Von Saucken, que havia combatido ao norte de Berlim, no delta do Rio Vístula, rendeu-se aos soviéticos, em 9 de maio de 1945. Na manhã do dia 7 de maio, o perímetro do XII Exército de Wenck começou a desmoronar. Wenck atravessou o rio Elba com pequenas armas de fogo naquela tarde e entregou-se ao 9º Exército dos EUA.
 
Também no dia 7 de maio de 1945, em Rheims, os generais Jodl e Doenitz, assinam a rendição incondicional da Alemanha, com isso estar terminada a Batalha de Berlim e a guerra na Europa. Estava terminando o curto reinado de 12 anos do 3º Reich, que Hitler havia dito que duraria mil anos.

Um tanque PzKpfw.VI Ausf.B Tiger II da Divisão Panzer Müncheberg abandonado em frente a Estação Potsdam em Berlim, Maio de 1945.

Conseqüências
As decisões de Stalin e Hitler de buscarem seus objetivos políticos, a qualquer custo, em um dos últimos episódios da Segunda Guerra Mundial na Europa, fez com que milhares de pessoas perdessem suas vidas. Segundo um trabalho de Grigoriy Krivosheev baseado em dados dos arquivos liberados, as forças soviéticas tiveram 81.116 mortos por toda a operação, que incluiu as batalhas das Colinas de Seelow alturas e Halbe; Eles sofreram 280.251 baixas entre feridos e doentes durante esse período. A operação também custou aos soviéticos cerca de 2.000 veículos blindados, embora o número de perdas irrevogáveis não seja conhecida. Inicial com base em estimativas soviética, a URSS reinvidicou ter matado 458.080 alemães e capturado 479.298, e uma estimativa alemão coloca o número de mortos em volta de 100.000. O número de vítimas civis é desconhecida, mas estima-se que cerca de 125.000 pereceram durante toda a operação.

 Além destes feitos prisioneiros no campo de batalha, os soviéticos freqüentemente ia de casa em casa, prender e encarcerar alguém em um uniforme de bombeiros, incluindo ferroviários. Em muitas áreas da cidade, tropas soviéticas (normalmente unidades dos escalões da retaguarda) saquearam, e estupraram uma estimativa de 100.000 mulheres e assassinaram milhares de civis durante várias semanas. Durante o mês anterior à batalha, enquanto o Exército Vermelho iniciava as suas ofensivas dentro da Alemanha propriamente dita, a STAVKA reconheceu o potencial de lapsos de disciplina envolvendo tropas vingativas e tinha sido capaz de verificar tal comportamento até certo ponto. O Marechal Konev, em 27 de janeiro de 1945 próximo a conclusão da Ofensiva Vístula-Oder forneceu uma longa lista de comandantes para serem transferidos para batalhões penais por saques, embriaguez, e excessos contra civis.

Soldado russo tenta roubar uma bicicleta de uma mulher alemã

O caos inicial, no rescaldo de Berlim no entanto, era muito difundido e difícil de ser detido ou controlado. Alguns oficiais soviéticos recorreram a punir ou mesmo a atirar nos agressores soviéticos em plena rua. Após o verão de 1945, as autoridades soviéticas recuperaram a disciplina sobre as suas tropas, e os soldados soviéticos que eram pegos estuprando era oficialmente punidos, em graus diversos. No entanto, Berlim vinha sofrendo escassez de alimentos por muitos meses, causada por bombardeios estratégicos e agravada pelo assalto final a cidade. Apesar de grandes esforços soviéticos para fornecimento de alimentos e reconstrução da cidade, a fome continuou a ser um problema. Quase todo o transporte dentro e fora da cidade tinham sido tornados inoperantes, e o abastecimento de água da cidade era precário. Em junho de 1945, um mês depois da rendição, quando os americanos chegaram no seu sector de Berlim descobriram que a ingestão média de calorias dos berlinenses estava baixo de 64% de uma ração diária de 1.240 calorias. Graus variáveis de sexo forçado, particularmente na zona de ocupação soviética, tornou-se a forma através da qual algumas mulheres conseguiram garantir as necessidades do dia-a-dia. Estupros continuaram até o inverno de 1947-48, quando as autoridades de ocupação soviética, finalmente eliminou o problema, limitando as tropas soviéticas para cargos rigorosamente de guarda postos e acampamentos.


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